Bahia ganha cada vez mais destaque no cenário da indústria mineral

Por Conexão Mineral 26/10/2025 - 10:20 hs
Foto: Eduardo Andrade/SDE-BA
Bahia ganha cada vez mais destaque no cenário da indústria mineral
Angelo Almeida, secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia

A Bahia tem cada vez mais se firmado como um importante polo de atração para investimentos na área mineral. O portal Conexão Mineral ouviu o secretário de  Desenvolvimento Econômico (SDE)  da Bahia,  Angelo Almeida, que deu um panorama sobre a atuação do segmento no Estado.

Conexão Mineral - Como o senhor avalia a participação da indústria mineral na Bahia? 

Angelo Almeida - A mineração tem papel relevante e positivo na Bahia, tanto pelo impacto econômico quanto pela geração de emprego e renda. Em 2024, o setor mínero-industrial foi responsável por mais de 38 mil empregos formais diretos no estado, distribuídos entre a indústria extrativa, transformação de minerais e metalurgia. Além disso, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) destinou R$ 99 milhões aos municípios produtores, fortalecendo economias locais. Muitos projetos vêm sendo desenvolvidos com atenção à sustentabilidade e responsabilidade social, o que favorece o diálogo com comunidades e aumenta a aceitação das atividades pela população.

Conexão Mineral - Qual a importância da mineração para a economia do Estado? 

Angelo Almeida - A Bahia ocupa a quarta posição nacional no faturamento mineral, atrás apenas de Minas Gerais, Pará e São Paulo. Em 2024, a Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC) cresceu 4,5%, alcançando R$ 10,18 bilhões. O setor mineral também contribui com 13,4% do Valor da Transformação Industrial do estado, incluindo desde ferroligas até joias e agrominerais. Além do faturamento, a arrecadação de ICMS pela atividade mineral somou R$ 178 milhões em 2024

Conexão Mineral - Quais são os principais programas de fomento e atração de novos projetos minerais no Estado?

Angelo Almeida - O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), tem investido em diversas frentes para estimular e atrair novos projetos minerais. Em 2024, foram aplicados mais de R$ 26 milhões em ações de apoio, fomento, mapeamento e estudos geológicos, ampliando a base de informações para investidores. Além disso, os Protocolos de Intenção firmados com mineradoras já somam mais de R$ 4 bilhões, com projetos em áreas como grafita, água mineral, fosfato, terras raras e bentonita ativada. A Bahia também se consolidou como o segundo maior destino de requerimentos de pesquisa do país, registrando 1.828 pedidos no último ano, com destaque para minerais críticos como lítio, cobre e terras raras. Esse conjunto de iniciativas reforça o ambiente de negócios, dá segurança aos empreendedores e garante que o estado continue atraindo capital para projetos estratégicos.

Conexão Mineral - Quais são os principais projetos de mineração sendo implantados atualmente na Bahia?

Angelo Almeida - A Bahia possui diversos projetos minerais estratégicos em andamento, consolidando sua posição no cenário nacional. Destacam-se a expansão da produção de ouro em municípios como Jacobina e Barrocas; as operações de cobre da Ero Caraíba, em Jaguarari e Juazeiro, que atualmente exporta quase toda a sua produção; e a atuação da Largo Mineração em Maracás, fortalecendo a produção de vanádio. O estado também tem ampliado investimentos em minerais estratégicos para a transição energética, como grafita e terras raras, além de consolidar o segmento de rochas ornamentais, especialmente quartzitos e quartzos translúcidos, nos quais responde por mais de 70% da produção nacional. Projetos de ferro em Brumado e Livramento de Nossa Senhora, da Santa Fé Mineração, já possuem licença de implantação para uma planta de “pellet feed” de alto teor (65% de ferro), com capacidade nominal de um milhão de toneladas.

Conexão Mineral - Tem algum projeto de terra raras?

Angelo Almeida - No setor de terras raras, a Borborema Mineração, de capital australiano, tem como principal acionista a Brazilian Rare Earths, listada na ASX com valor de mercado de US$ 220 milhões. A empresa detém direitos minerários em fase inicial (7 Requerimentos e 236 Autorizações de Pesquisa) e 20 Relatórios de Pesquisa Aprovados, com reservas de terras raras e nióbio já qualificadas. O projeto, com duas áreas de alta prioridade, iniciou o licenciamento ambiental no IBAMA e prevê avançar na cadeia produtiva, agregando valor ao produto dentro do estado.